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Um Guia para modelar ontologias usando OWL-DL (GOL)

“…A atmosfera moral é magnífica para batráquios.
Não imaginas como andam propícios os tempos a todas as mediocridades. Estamos no período hilariante dos grandes homens-pulhas, dos Pachecos empavesados e dos Acácios triunfantes…”

Euclides da Cunha, em 1909, numa carta ao seu cunhado.

 

Apresentação

 

Web Ontology Language (OWL), (Hitzler, et al., 2009) é uma linguagem para Semantic Web, desenvolvida pelo World Wide Web Consortium (W3C) e está descrita formalmente por (Patel-Schneider, et al., 2004). A OWL é uma extensão da linguagem RDF Schema, (Hayes, 2004), com significativos recursos adicionais de expressividade, no aspecto da representação do conhecimento, objetivo da ontologia e usa a XML. Em relação à expressividade do conhecimento a OWL é classificada em OWL Full, OWL-DL e OWL Lite. A OWL Full é usada quando se deseja o máximo de expressividade e liberdade sintática, em relação à RDF Schema, mas que, na mesma proporção de seu poder, incorpora o fato de ser indecidível. A OWL-DL, menos poderosa do que a OWL Full, consegue compor recursos de expressividade satisfatórios, sem perder a completude e decidibilidade computacionais. Finalmente, a OWL Lite é uma linguagem com poder de expressividade extremamente pobre, muito embora seja de compreensão simples e é fácil de implementar em procedimentos automáticos. Neste contexto, a OWL-DL é a linguagem preferida para modelar ontologias.

Modelar, ou construir modelos que representem um domínio de interesse é um processo complicado e muitas vezes difícil. Isto se torna uma tarefa monumental e a recomendação é que seja um trabalho incremental (baseado em refinamentos sucessivos) e, sobretudo, que se siga um roteiro sistemático, o qual somente uma metodologia efetivamente consistente poderia satisfazer. Existem muitas propostas de metodologias e, a maioria delas é derivada de outras metodologias conhecidas, liderando com vantagens as áreas de desenvolvimento de software e de projetos em geral.

EagleOwl

O presente trabalho propõe um guia para o desenvolvimento de ontologias em OWL-DL, ao qual se dá o nome de GOL. Adicionalmente o trabalho segue o OpenStand descrito em (OpenStand, 2013) e, em seus princípios (OpenStand, 2012). Para estabelecer a proposta do GOL será desenvolvida uma abordagem orientada ao domínio de conhecimento associado à Infraestrutura da Internet.

O GOL responde às questões subjacentes à Figura 1, a qual exibe dois ambientes:

  • Seleção de ferramentas e técnicas para trabalhar na modelagem de ontologias.
  • Seleção e modificação de metodologias para o projeto, implementação e teste de ontologias.

 

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Figura 1. As escolhas de um guia para modelar ontologias (GOL).

 

Os ambientes são derivados de metodologias conhecidas no desenvolvimento de sistemas e programas, como já foi dito acima, coincidindo o primeiro ambiente com o tópico Requirements and Analysis, e, o segundo ambiente associa-se ao tópico Design, Implement and Test, ambos baseados no Unified Process (UP), de (Jacobson, et al., 1999). Esta relação está bem caraterizada em uma das metodologias analisadas para o GOL, chamada Unified Process for ONtology (UPON), descrita por (Nicola, et al., 2009).

Após as avaliações sobre os recursos disponíveis nos dois ambientes, o trabalho propõe o GOL, conforme a Figura 2 com as escolhas possíveis entre as alternativas estudadas.

Por outro lado, o GOL, ao indicar uma metodologia, atenta para o fato de que ela seja versátil, o suficiente, e capaz de permitir mudanças, a critério das habilidades e perfis de grupos e pessoas envolvidas no desenvolvimento de ontologias sem, contudo descaracterizar o resultado final que se espera quando é usada a OWL-DL.

 

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Figura 2. A estrutura final (enxuta), do EOWL.

 

Para validar o GOL, um projeto envolvendo um subdomínio do imenso domínio de conhecimento agregado à Infraestrutura da Internet. A escolha recai sobre os recursos de numeração, cuja atribuição / distribuição é feita pelo IANA. Propositalmente, a escolha origina um estudo para aplicação da Web Semântica, na direção de tornar os administradores de recursos da Internet, confortáveis diante de suas responsabilidades.

 

Bibliografia

 

  • Fernández López M. Overview of Methodologies For Building Ontologies [Conference] // Proceedings of the IJCAI-99 workshop on Ontologies and Problem-Solving Methods (KRR5) / ed. Benjamins V. R. [et al.]. – Stockholm, Sweden : [s.n.], August 2, 1999.
  • Hayes, P., 2004. RDF Semantics. [Online] Available at: http://www.w3.org/TR/2004/REC-rdf-mt-20040210/
    [Acesso em 18 maio 2013].
  • Hitzler, P., Krötzsch, M., Parsia, B. & Patel-Schneider, P. F., 2009. OWL 2 Web Ontology Language Primer. [Online] Available at: http://www.w3.org/TR/2009/REC-owl2-primer-20091027/ [Acesso em 19 maio 2013].
  • IANA, 2013. Autonomous System (AS) Numbers. [Online] Available at: http://www.iana.org/assignments/as-numbers/as-numbers.xml [Acesso em 17 maio 2013].
  • Jacobson, I., Booch, G. & Rumbaugh, J., 1999. The Unified Software Develop-. s.l.:Addison Wesley, USA.
  • Nicola, A. D., Missikoff, M. & Navigli, R., 2009. A Software Engineering Approach to Ontology Building. Information Systems, 34(2), Elsevier, pp. 258-275.
  • OpenStand, 2012. Principles. [Online] Available at: http://open-stand.org/principles/ [Acesso em 17 maio 2013].
  • OpenStand, 2013. About. [Online] Available at: http://open-stand.org/about-us/ [Acesso em 2013].
  • Patel-Schneider, P. F., Hayes, P. & Horrocks, I., 2004. OWL Web Ontology Language Semantics and Abstract Syntax. [Online] Available at: http://www.w3.org/TR/2004/REC-owl-semantics-20040210.
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IETF => D-75: O comitê de nomeação

 

Introdução

 

Para quem atua na infraestrutura da Internet pela primeira vez e até mesmo depois de anos de experiência consegue compreender parte do funcionamento e da estrutura do IETF. Mas não consegue entender como funciona o IETF, na prática. A principal dificuldade é não imaginar, de imediato, que o IETF NÃO é uma instituição ou organização privada. A dificuldade aumenta um pouco mais, quando se percebe que o IETF não tem endereço fixo ou um representante central para onde flui o que lhe diz respeito. Piora um pouco quando percebe-se que o IETF é um grupo de pessoas que participam de suas atividades, independentemente, sem influências de qualquer entidade organizada (pública ou privada). Este grupo de pessoas tem uma instituição que preserva esta independência, abrigando suas atividades, sem exercer nenhuma influência: a ISOC. Mas, as pessoas chaves que coordenam seus interesses e ajuda no entendimento sereno de todos os participantes estão ligadas ao IESG. Estas pessoas são os Presidentes das áreas (8) e os responsáveis pelos WGs. Tais responsáveis (pelas áreas e pelos WGs) não possuem nenhuma influência sobre o IETF (isto é, sobre o grande grupo). São abnegados e experientes profissionais, que encaminham para que tudo dê certo no objetivo final de definir os comportamentos adequados para a Internet. Em outras palavras, para a criação de normas, recomendações e práticas, que por serem efetivas e eficazes, se tornam padrões.

Quando uma proposta é considerada pronta, pelo grupo, ela é encaminhada a um outro grupo chamado IESG, que seguindo regras pré-estabelecidas, conduz a avaliação técnica da proposta. O IESG também possui pessoas que coordenam, sem influência pessoal, o prosseguimento sob as normas estabelecidas.

Com um olhar mais técnico e cuidadoso, o IAB, outro grupo intimamente ligado ao IETF e ao IESG, também, sob o guarda chuva da ISOC, refina os trabalhos do IETF, encaminhados através do IESG, de forma que se garanta a sua aplicabilidade ou viabilidade de divulgação (através das RFCs).. O IAB possui diversas pessoas que dão suporte às suas atividades e responsabilidades.

Por fim, para que as reuniões do IETF possam funcionar adequadamente, os recursos sejam disponibilizados sem problemas e, no geral, liberar as pessoas (os grupos que formam IETF, IESG e IAB), de preocupações de natureza administrativa e financeira, existe o IAOC. O IAOC, por seu lado possui pessoas que cuidam de seus afazeres adequadamente, e também, seguindo regras bem definidas.

A nomeação dos dirigentes do IESG, IAB e IAOC, incluindo os impedimentos são de responsabilidade de um outro grupo denominado Comitê de Nomeações (Nominating Committee), ou como é mais conhecido, NomCom, cuja descrição é feita a seguir.

 


Nota 1: Alguns e-mails trocados com S. Moonesamy, da República do Maurício, ISOC Fellow ajudaram na compreensão mais refinada do IETF.

Nota 2: D-75, significa que faltam 75 dias para o início do IETF 86.


 

O NomCom

 

O NomCom está apresentado em IETF NomCom, no sítio do IETF. O NomCom foi criado com o objetivo de analisar cada cargo disponível no IESG, IAB, e IAOC, e providenciar seu preenchimento, em datas de nomeções normais ou por impedimento. A estrutura funcional do NomCom possui os seguintes componentes: um Presidente (chair), sem direito a voto, 10 voluntários com direito a voto, 2-3 elementos de ligação (liaison) e um conselheiro (advisor). As obrigações de cada um, suas respectivas funções bem como as regras para se candidatar ao preenchimento das vagas disponíveis são definidas pela RFC37771. A RFC3777 possui quatro atualizações, que substituem alguns de seus itens, aperfeiçoando o processo. São elas: a RFC50782, a RFC56333, a RFC56804, e a RFC56806

NomCom

O Presidente do NomCom é nomeado pelo Presidente da ISOC. Os candidatos voluntários (10) são escolhidos através de um complexo mecanismo randômico, como caracterizado pela RFC37975, a partir de indicações dos próprios interessados. Há algumas poucas restrições para que uma pessoa se candidate como voluntário, na pressuposição de que ele tenha uma experiência mínima no IETF. Os elementos de ligações são indicados pelo IESG, pelo IAB e, eventualmente, pelo Conselho de Curadores (Board of Trustees) da ISOC. O conselheiro é o Presidente da gestão anterior.

Assim, o NomCom exerce um papel muito importante, na organização do caos!

 


Observações: O IETF utiliza-se dos elementos de ligações (liaisons) em diversas atividades, principalmente, naquelas que se relacionam com outras organizações responsáveis por padrões. Nestes casos, o NomCom, não é acionado, mas sim o IAB, que coordena todas as atividades que os envolvem. As regras e normas associadas são definidas pela RFC4052 e a referência inicial pode ser vista em Liaisons. A lista dos atuais participantes está apresentada em Liaison Managers e os documentos que estabelecem as iniciativas formais, em Liaison Statements.


 

Artigos Relacionados

 

 

Referências

 

  1. RFC3777. IAB and IESG Selection, Confirmation, and Recall Process: Operation of the Nominating and Recall Committees J. Galvin [ June 2004 ] (TXT = 76395) (Obsoletes RFC2727) (Updated-By RFC5078, RFC5633, RFC5680) (Also BCP0010) (Status: BEST CURRENT PRACTICE) (Stream: IETF, Area: gen, WG: nomcom).

  2. RFC5078. IAB and IESG Selection, Confirmation, and Recall Process: Revision of the Nominating and Recall Committees Timeline S. Dawkins [ October 2007 ] (TXT = 19870) (Updates RFC3777) (Status: INFORMATIONAL) (Stream: IETF, WG: NON WORKING GROUP).

  3. RFC5633. Nominating Committee Process: Earlier Announcement of Open Positions and Solicitation of Volunteers S. Dawkins [ August 2009 ] (TXT = 11117) (Updates RFC3777) (Also BCP0010) (Status: BEST CURRENT PRACTICE) (Stream: IETF, WG: NON WORKING GROUP).

  4. RFC5680. The Nominating Committee Process: Open Disclosure of Willing Nominees S. Dawkins [ October 2009 ] (TXT = 14296) (Updates RFC3777) (Also BCP0010) (Status: BEST CURRENT PRACTICE) (Stream: IETF, WG: NON WORKING GROUP).

  5. RFC3797. Publicly Verifiable Nominations Committee (NomCom) Random Selection D. Eastlake 3rd [ June 2004 ] (TXT = 39883) (Obsoletes RFC2777) (Status: INFORMATIONAL) (Stream: IETF, WG: NON WORKING GROUP).

  6. RFC6859. Update to RFC 3777 to Clarify Nominating Committee Eligibility of IETF Leadership B. Leiba [ January 2013 ] (TXT = 5619) (Updates RFC3777) (Also BCP0010) (Status: BEST CURRENT PRACTICE) (Stream: IETF, WG: NON WORKING GROUP).

Categorias:IAB, IAOC, IESG, IETF, ISOC, liaison, TCP/IP Tags:
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