Um Guia para modelar ontologias usando OWL-DL (GOL)
“…A atmosfera moral é magnífica para batráquios.
Não imaginas como andam propícios os tempos a todas as mediocridades. Estamos no período hilariante dos grandes homens-pulhas, dos Pachecos empavesados e dos Acácios triunfantes…”
Euclides da Cunha, em 1909, numa carta ao seu cunhado.
Apresentação
Web Ontology Language (OWL), (Hitzler, et al., 2009) é uma linguagem para Semantic Web, desenvolvida pelo World Wide Web Consortium (W3C) e está descrita formalmente por (Patel-Schneider, et al., 2004). A OWL é uma extensão da linguagem RDF Schema, (Hayes, 2004), com significativos recursos adicionais de expressividade, no aspecto da representação do conhecimento, objetivo da ontologia e usa a XML. Em relação à expressividade do conhecimento a OWL é classificada em OWL Full, OWL-DL e OWL Lite. A OWL Full é usada quando se deseja o máximo de expressividade e liberdade sintática, em relação à RDF Schema, mas que, na mesma proporção de seu poder, incorpora o fato de ser indecidível. A OWL-DL, menos poderosa do que a OWL Full, consegue compor recursos de expressividade satisfatórios, sem perder a completude e decidibilidade computacionais. Finalmente, a OWL Lite é uma linguagem com poder de expressividade extremamente pobre, muito embora seja de compreensão simples e é fácil de implementar em procedimentos automáticos. Neste contexto, a OWL-DL é a linguagem preferida para modelar ontologias.
Modelar, ou construir modelos que representem um domínio de interesse é um processo complicado e muitas vezes difícil. Isto se torna uma tarefa monumental e a recomendação é que seja um trabalho incremental (baseado em refinamentos sucessivos) e, sobretudo, que se siga um roteiro sistemático, o qual somente uma metodologia efetivamente consistente poderia satisfazer. Existem muitas propostas de metodologias e, a maioria delas é derivada de outras metodologias conhecidas, liderando com vantagens as áreas de desenvolvimento de software e de projetos em geral.
O presente trabalho propõe um guia para o desenvolvimento de ontologias em OWL-DL, ao qual se dá o nome de GOL. Adicionalmente o trabalho segue o OpenStand descrito em (OpenStand, 2013) e, em seus princípios (OpenStand, 2012). Para estabelecer a proposta do GOL será desenvolvida uma abordagem orientada ao domínio de conhecimento associado à Infraestrutura da Internet.
O GOL responde às questões subjacentes à Figura 1, a qual exibe dois ambientes:
- Seleção de ferramentas e técnicas para trabalhar na modelagem de ontologias.
- Seleção e modificação de metodologias para o projeto, implementação e teste de ontologias.
Os ambientes são derivados de metodologias conhecidas no desenvolvimento de sistemas e programas, como já foi dito acima, coincidindo o primeiro ambiente com o tópico Requirements and Analysis, e, o segundo ambiente associa-se ao tópico Design, Implement and Test, ambos baseados no Unified Process (UP), de (Jacobson, et al., 1999). Esta relação está bem caraterizada em uma das metodologias analisadas para o GOL, chamada Unified Process for ONtology (UPON), descrita por (Nicola, et al., 2009).
Após as avaliações sobre os recursos disponíveis nos dois ambientes, o trabalho propõe o GOL, conforme a Figura 2 com as escolhas possíveis entre as alternativas estudadas.
Por outro lado, o GOL, ao indicar uma metodologia, atenta para o fato de que ela seja versátil, o suficiente, e capaz de permitir mudanças, a critério das habilidades e perfis de grupos e pessoas envolvidas no desenvolvimento de ontologias sem, contudo descaracterizar o resultado final que se espera quando é usada a OWL-DL.
Para validar o GOL, um projeto envolvendo um subdomínio do imenso domínio de conhecimento agregado à Infraestrutura da Internet. A escolha recai sobre os recursos de numeração, cuja atribuição / distribuição é feita pelo IANA. Propositalmente, a escolha origina um estudo para aplicação da Web Semântica, na direção de tornar os administradores de recursos da Internet, confortáveis diante de suas responsabilidades.
Bibliografia
- Hayes, P., 2004. RDF Semantics. [Online] Available at: http://www.w3.org/TR/2004/REC-rdf-mt-20040210/
[Acesso em 18 maio 2013]. - Hitzler, P., Krötzsch, M., Parsia, B. & Patel-Schneider, P. F., 2009. OWL 2 Web Ontology Language Primer. [Online] Available at: http://www.w3.org/TR/2009/REC-owl2-primer-20091027/ [Acesso em 19 maio 2013].
- IANA, 2013. Autonomous System (AS) Numbers. [Online] Available at: http://www.iana.org/assignments/as-numbers/as-numbers.xml [Acesso em 17 maio 2013].
- Jacobson, I., Booch, G. & Rumbaugh, J., 1999. The Unified Software Develop-. s.l.:Addison Wesley, USA.
- Nicola, A. D., Missikoff, M. & Navigli, R., 2009. A Software Engineering Approach to Ontology Building. Information Systems, 34(2), Elsevier, pp. 258-275.
- OpenStand, 2012. Principles. [Online] Available at: http://open-stand.org/principles/ [Acesso em 17 maio 2013].
- OpenStand, 2013. About. [Online] Available at: http://open-stand.org/about-us/ [Acesso em 2013].
- Patel-Schneider, P. F., Hayes, P. & Horrocks, I., 2004. OWL Web Ontology Language Semantics and Abstract Syntax. [Online] Available at: http://www.w3.org/TR/2004/REC-owl-semantics-20040210.
Próximos artigos da série EOWL:
- A linguagem XML
- A linguagem RDF
- A linguagem RDFS
- Ontologia (o que é)
- Lógica de Descrição (Description Logic)
- OWL
- Ferramentas da Web Semântica
- Metodologias para modelar Ontologias
- Protégé
- O Guia para Modelar Ontologias em OWL-DL (EOWL)
Entendendo RFCs
Introdução
Por várias vezes foi falado neste blogue, que não dá para procurar e ler um RFC, sem a listagem do RFC Index, em ordem numérica, numa tela de navegador. É o que mostra a Figura 1, parcialmente.
O RFC mais importante, para entender RFCs é o RFC20264. A Figura 2 mostra como a referência aparece no RFC Index. Tudo o que é apresentado nas três linhas da Figura 2, está explicado no início da página do RFC Index, e seria muito proveitoso, entender, principalmente o que está em vermelho.
Não marcado na Figura 2, está (TXT = 86731), que diz estar o RFC20264, no formato ASCII, com 86.731 caracteres. Outros formatos possíveis para um RFC são o PostScript (PS) e o PDF. Já marcado, na sequência está Obsoletes indicando que o RFC20264 torna obsoleto ou substitui dois outros RFCs. Mas, uma palavra parecida e muito mais importante é Obsoleted by, que embora não apareça na descrição do RFC2026 poderia, quando for o caso, evitar perda de tempo, sabendo que um determinado RFC foi substituído por outro. Duas importantes informações, que geralmente não são consideradas, Status e Stream são as principais motivações deste texto.
Na medida do possível, não será apresentado neste texto, a interpretação de siglas, como por exemplo, a sigla RFC. Mas se necessário pode-se recorrer à Tabela 1 do artigo A ISOC, o IETF e a infraestrutura da Internet. Uma outra dúvida que aparece é o tratamento dado ao RFC. Está sendo usado “o”, ao invés de “a”. Tanto faz. O artigo masculino está sendo preferido indicando que a tradução para “Request” será “Pedido”. Esta correção de gênero está sendo feita somente a partir do presente artigo, já que nos artigos passados do blogue, foi dado preferência ao gênero feminino. No início irá parecer um pouco estranho, na língua portuguesa.
Nota: Experimentalmente há um espelhamendo do RFC Index, em ordem decrescente pelo número do RFC, aqui. Foi usado a recomendação contida em How to use rsync to download documents from the RFC Editor Repository, e um programa em PHP analisa o arquivo em XML, rfc-index.xml, para obter um formato bem próximo ao do RFC Index, mostrado na Figura 1.
Quem pode escrever um RFC?
Qualquer ser humano pode escrever um RFC, desde que o faça, em inglês e siga a formatação recomendada. Para ser publicada, entretanto, ela deve passar por algumas etapas bem definidas. Tais etapas, a formatação e os tipos de RFCs estão descritas em dezenas de RFCs…
A publicação e o repositório de RFCs são de responsabilidade do RFC Editor, embora não pareça à primeira vista é formado por um conjunto de pessoas (e, de organizações), que atuam sobre um emaranhado complexo de normas, regras e definições, para eficazmente expor, de maneira simples, um imenso conhecimento sobre a Internet, seus protocolos e milhares de outras informações úteis a pessoas e instituições envolvidas e / ou interessadas. No passado, entretanto, o RFC Editor era uma única pessoa: Jon Postel. Foi Postel quem estabeleceu o perfeito funcionamento do RFC Editor, e em FAQs2 tem-se um bom lugar para entender muito a respeito. Um cenário simplificado em torno do RFC Editor é mostrado na Figura 3.
O RFC Editor cuida de dois tipos de documentos: o RFC, propriamente dito e o Internet-Draft. Este pode ou não se tornar um RFC. O repositório dos RFCs está no ambiente do RFC Editor, enquanto que o repositório de Internet-Drafts está no ambiente do IETF. No passado já tivemos outros tipos de documentos, como os chamados FYI (For You Information). Desde o RFC636010, não existem mais. Isto significa que a qualquer momento pode-se ter mudanças sobre o RFC Editor e suas publicações. As regras de um Internet-Draft estão muito claras em Guidelines to Authors of Internet-Drafts.
Os membros do RFC Editor são determinados pelo IAB e pelo IAOC, que usam, quando necessário, o NomCom. O suporte financeiro e administrativo é dado pelo IASA. Este relacionamento do RFC Editor como o IAB, IAOC e IASA, estão muito bem definidos em RFCs. O IAB exerce funções de supervisão e monitoramento do RFC Editor, também, caracterizadas em RFCs.
Documentos que se transformam em RFCs ou Internet-Drafts podem ser produzidos pelo IAB, IETF, IRTF e através de submissões independentes. O IESG é a organização envolvida na autorização final para que o RFC Editor publique formalmente um documento.
O IAB tem privilégios na publicação de documentos, exceto aqueles que envolvam propostas diretamente ligadas ao IETF. Neste caso, o documento é enviado para o IETF, submetido a avaliações e debates tradicionais, para em seguida ser autorizado pelo IESG. O IESG tem sempre a palavra final, pois mesmo um documento informal ou que veio de uma submissão independente pode estar em conflito com alguma norma, regra ou padrão envolvendo a Internet. O RFC Editor é muito cuidadoso e hábil em relação a isto, envolvendo-se sistematicamente com o IESG, o que dá segurança a todo o repositório.
Tipos de documentos e as submissões (“stream“)
O IETF Editor cuida da publicação de dois tipos de documentos, como já sabemos: o RFC e o Internet-Draft e reconhecido como séries. O RFC é dividido em outros tipos, denominados sub-séries. Algumas outras formas de identificar os documentos do RFC Editor podem ser usados, como por exemplo em RFCs by Category.
Na Figura 3 são três as sub-séries identificadas pela categoria Standard Track: Proposed Standard, Draft Standard e Internet Standard, este recentemente denominado, simplesmente Standard. São, tipicamente, documentos produzidos pelo IETF, cujo caracterização é definida no RFC202, item 4, e são identificados como níveis de maturidade. Complementarmente, o RFC5000, detalha o tratamento dado pelo RFC Editor, aos documentos dos níveis de maturidade. O RFC20264, também, regula as publicações do tipo Internet-Draft, que na prática podem anteceder os níveis de maturidade e são produzidos dentro dos WGs do IETF. Da mesma forma, a RFC2026, inclui em suas caracterizações, as séries Informational e Experimental, o que faz com que o RFC Editor adote critérios que podem envolver o IAB e o IESG. Neste sentido, estes dois tipos de documentos (Informational e Experimental) podem sofrer um processo de quarentena, adequado período de avaliação e debates. Se os documentos destes dois tipos são produzidos pelos WGs, necessariamente devem ser submetidos ao IESG, por uma razão de motivos, descritos no item 4.2.3, do RFC20264. Mais recentemente, uma atualização do RFC20264, o RFC6410, propõe dois níveis de maturidade, ao invés de três.
A sub-série Historic está caracterizada no item 4.2.4 da RFC20264. Da mesma forma, a sub-série Best Current Practice, descrita no item 5 é considerada um nível de maturidade elevado, representando o ponto de vista de uma comunidade sobre o que é melhor, no que diz respeito ao domínio de sua aplicação. Muitos RFCs aparecem a palavra “unknown“, no “status“, o que significa que foram publicadas antes da definição formal.
As submissões independentes foram atualizadas pelo RFC5742, onde os critérios de revisão a serem adotados pelo IESG estão bem qualificados.
Finalmente é bom lembrar que a palavra submissão é uma tradução livre para stream. Stream está caracterizado na referência de um RFC, como mostrado na Figura 2. No exemplo, da Figura 2, o RFC20264 foi submetido pelo IETF. Quando a submissão vem do IETF, a palavra “Area” é adicionada, para identificar a área do IETF e o respectivo WG, que deu origem ao documento. A Figura 4 exibe as possíveis submissões ou valores do “stream”.
As submissões do IRTF estão reguladas pelo RFC5743, também, complementadas pelo RFC48446.
As submissões independentes estão reguladas pelo RFC4846. A submissão independente deve ser feita diretamente ao RFC Editor, na forma de Internet-Drafts.
Como escrever um RFC ou Internet-Draft
Existem ferramentas que facilitam a criação de documentos, seguindo as normas do RFC Editor. Existe disponível, o completo Tutorial: Tools for Creating I-Ds, e mais um outro, RFCs & the RFC Editor: A Tutorial. Complementarmente, o RFC2360 é um guia para quem pretende escrever um documento sobre padrões, que pode ser complementado pelo RFC2223 e o RFC57418.
Conclusões
É importante lembrar, que o começo para o entendimento completo sobre os documentos do RFC Editor está no RFC20264 e na sua página principal. Entender detalhadamente, as regras que norteiam o trabalho do RFC Editor, apesar de muitíssimo importante é uma tarefa árdua, senão impossível. A Figura 3, juntamente com este texto é apenas uma demonstração da complexidade, mas caracteriza muito bem a isenção e confiabilidade da documentação que faz a Internet funcionar. O melhor que se tem a fazer é, após a identificação do trabalho a ser realizado, partir para efetivamente escrever o documento. Nesta oportunidade, as coisas ficarão mais claras e fáceis de entender, em particular, o percurso que um documento até chegar a um RFC publicado.
Artigos Relacionados
Referências
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RFC Editor FAQs. Acessado em 02/02/2013.
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RFC1796 Not All RFCs are Standards C. Huitema, J. Postel, S. Crocker [ April 1995 ] (TXT = 7049) (Status: INFORMATIONAL) (Stream: Legacy). Acessado em 02/02/2013.
-
RFC Editor FAQs. Acessado em 02/02/2013.
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RFC2026 The Internet Standards Process — Revision 3 S. Bradner [ October 1996 ] (TXT = 86731) (Obsoletes RFC1602, RFC1871) (Updated-By RFC3667, RFC3668, RFC3932, RFC3979, RFC3978, RFC5378, RFC5657, RFC5742, RFC6410) (Also BCP0009) (Status: BEST CURRENT PRACTICE) (Stream: IETF, Area: gen, WG: poised95). Acessado em 02/02/2013.
-
RFC2119 Key words for use in RFCs to Indicate Requirement Levels S. Bradner [ March 1997 ] (TXT = 4723) (Also BCP0014) (Status: BEST CURRENT PRACTICE) (Stream: Legacy). Acessado em 01/02/2013.
-
RFC4844 The RFC Series and RFC Editor L. Daigle, Internet Architecture Board [ July 2007 ] (TXT = 38752) (Updated-By RFC5741) (Status: INFORMATIONAL) (Stream: IAB). Acessado em 01/02/2013.
-
RFC4845 Process for Publication of IAB RFCs L. Daigle, Internet Architecture Board [ July 2007 ] (TXT = 9228) (Status: INFORMATIONAL) (Stream: IAB). Acessado em 01/02/2013.
-
RFC5741 RFC Streams, Headers, and Boilerplates L. Daigle, O. Kolkman, IAB [ December 2009 ] (TXT = 32160) (Updates RFC2223, RFC4844) (Status: INFORMATIONAL) (Stream: IAB). Acessado em 02/02/2013.
-
RFC5742 IESG Procedures for Handling of Independent and IRTF Stream Submissions H. Alvestrand, R. Housley [ December 2009 ] (TXT = 21067) (Obsoletes RFC3932) (Updates RFC2026, RFC3710) (Also BCP0092) (Status: BEST CURRENT PRACTICE) (Stream: IETF, WG: NON WORKING GROUP). Acessado em 02/02/2013.
-
RFC6360 Conclusion of FYI RFC Sub-Series R. Housley [ August 2011 ] (TXT = 4729) (Obsoletes RFC1150) (Status: INFORMATIONAL) (Stream: IETF, WG: NON WORKING GROUP). Acessado em 01/02/2013.
IETF => D-58: Como participar dos encontros do IETF
Introdução
Atualmente os encontros do IETF tem sido em número de três, por ano, geralmente realizados nos seguintes locais, do mundo: América do Norte, Europa e Ásia. A Tabela 1 exibe os encontros do IETF já programados.
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Encontro
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Ano
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Mês
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Local
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| IETF 86 | 2013 | Março | Orlando |
| IETF 87 | 2013 | Julho | Berlim |
| IETF 88 | 2013 | Novembro | Vancouver |
| IETF 89 | 2014 | Março | Londres |
| IETF 90 | 2014 | Julho | Toronto |
| IETF 91 | 2014 | Novembro | Honolulu |
| IETF 92 | 2015 | Março | Dalas |
| IETF 93 | 2015 | Julho | Praga |
| IETF 94 | 2015 | Novembro | Yokohama |
| IETF 95 | 2016 | Abril | Europa |
| IETF 96 | 2016 | Julho | América do Norte |
| IETF 97 | 2016 | Novembro | Ásia |
Tabela 1. Próximos encontros do IETF
Fonte: IETF Upcoming IETF Meetings.
Maneiras de participar
Pode-se participar dos encontros do IETF, presencialmente ou remotamente. A participação presencial implica em arcar com todas as despesas de viagem e estada, incluindo a taxa de registro no evento (Figura 2). A Internet Society oferece algumas bolsas para a participação presencial. A participação remota é gratuita e completa, no sentido de participação efetiva, apenas exigindo o uso de ferramentas apropriadas. Presencial, remota ou como bolsista, o IETF oferece um conjunto de facilidades para quem participa pela primeira vez. A melhor maneira de enxergar tais alternativas é acessar a página do evento. A Figura 1 exibe a programação parcial do IETF 86, que irá acontecer em março de 2013. Os anais e resultados completos das reuniões passadas possuem suas próprias páginas disponíveis em Past Meetings.
Na Figura 2, estão anotados em vermelho, os pontos importantes. Em particular, a ênfase dada aos participantes de primeira vez (New Attendees), os quais são chamados a compor uma série de eventos preliminares (um dia antes do encontro), com o objetivo de indicar o funcionamento do encontro do IETF, para que a oportunidade seja proveitosa e maximizada. Uma referência importante e exclarecedora é The Tao of IETF: A Novice’s Guide to the Internet Engineering Task Force.
Participação presencial
Em Register aparecem as instruções e regras para a inscrição, conforme mostra a Figura 2, seguindo do respectivo formulário. Estão visíveis, os valores das taxas de inscrição, que variam de acordo com datas. Atenção ao fato de que estudantes são favorecidos por uma taxa de inscrição bem mais em conta.
Participação remota
Cada encontro possui uma completa facilidade para participação remota e estão disponíveis, para o IETF 86, em Remote Participation at IETF 86. A informação é extensiva, no sentido de que tudo é muito bem documentado. As facilidades passivas (audio e vídeo) são complementadas pelas facilidades ativas (Jabber/XMPP Groupchat, WebEx e Meetecho), com os respectivos tutoriais referenciados. São facilidades que atendem, na plenitude, o participante remoto, inclusive, com mobilidade. No máximo exige uma pequena preparação antecipada. A organização dos recursos remotos está bem estruturada e orientada pela Agenda.
Bolsas
A ISOC (Internet Society) oferece diversas bolsas voltadas à participação em suas atividades, uma delas para apoiar diretamente a presença em encontros do IETF (The Internet Society Fellowship to the Internet Engineering Task Force (IETF) Programme). A participação em outros programas de bolsas agregam valor ao pedido de bolsa para participação no IETF.
A bolsa para participação nos encontros do IETF são de dois tipos: primeira participação (em um dos eventos do ano) e retorno (a um evento no próximo ano). Não há limite de idade e inclui:
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Passagens, acomodação (no hotel do evento), taxas de inscrição e entrada para o evento social do encontro;
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Disponibilidade de um mentor, que ajudará o bolsista a se preparar para participar na área de interesse, facilitar o relacionamento com outros participantes e garantir a movimentação no encontro, durante toda a semana de duração;
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Uma ajuda financeira para despesas diversas (~ US$400.00);
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Certificado de participação.
O critério de seleção é bastante competitivo (mais de 200 candidatos para, aproximadamente 10 bolsas). Os requisitos para a qualificação (Selection Criteria for Fellowships to the IETF) são, resumidamente, os seguintes:
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Ser membro da Internet Society;
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Possuir grau universitário em ciência da computação, tecnologia da informação, ou equivalente, ou ainda, demonstrar experiência relevante nestas áreas;
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Ser membro de uma organização com atividades associadas a redes, instituição de ensino, pesquisa e participante de programas de mestrado e doutorado com objetivos afins;
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Possuir completa noção da influência do IETF no seu contexto de interesse ou demonstrar a importância de áreas do IETF sobre seu trabalho atual;
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Demonstrar uma forte razão para participar de encontros do IETF relatando a influência dos trabalhos do IETF sobre seu próprio trabalho, estudo ou pesquisa, quando retornar a seu país;
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Apresentar um plano para compartilhar a experiência e conhecimento adquiridos no encontro do IETF, com outras pessoas na sua área ou região locais;
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Residir em um país em desenvolvimento e que tenha baixa frequência de participação no IETF;
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Necessitar de apoio para participar de um encontro do IETF e mesmo que não tenha sido selecionado em tentativa anteriores;
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Seguir um ou mais Grupos de Trabalho (WGs) do IETF.
O inglês é a língua oficial do IETF. Ouvir, escrever e falar com razoável fluência é um requisito essencial. Por outro lado, a sistemática participação em atividades promovidas por instituições locais, responsáveis por aplicações de recomendações ou de gerenciar recursos de rede de dados (LACNIC, NI.br, etc.) é fortemente positiva na seleção.
Nota 1: O IETF apoia diversas outras formas de participação, identificadas como IETF and OIS Programmes que, além das bolsas incluem: reguladores, mentores e participação no Centro de Engajamento Remoto (IETF Remote Engagement Hub).
Participantes dos encontros do IETF
Os anais de todos os encontros, exceto o IETF 5 encontram-se em Past Meetings
A primeira participação de brasileiros, em encontros do IETF aconteceu no IETF 36, realizado entre os dias 24 e 28 de junho de 1996 em Montreal, Quebec, CA.
88 reuniões
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Tabela 2. Participação presencial geral e de brasileiros nas reuniões anuais do IETF.
Fonte: IETF Past Meetings.
Nota 2: Foram realizados 88 encontros desde 1986. A partir de 1991, as reuniões anuais passaram a ser em número de 3. Em cada um dos anos de 1986, 1987, 1989 e 1990 ocorreram 4 encontros. Em 1988, foram 3 encontros. Os anais do IETF 5, em 1987 não foram encontrados, até o momento.
Uma das principais conclusões após a análise do gráfico da Figura 3 é o fato de que a participação brasileira ser muito pequena. Também, de imediato, observa-se um declínio na participação global nas reuniões do IETF, embora com pequeno avanço em 2012. Estas avaliações nos levam a desejar um debate no sentido melhorar as duas participações, global e brasileira. Este debate poderia, por exemplo, partir de uma proposta para diminuir para dois encontros anuais e acrescentar dois eventos anuais por região do planeta digamos, no domínio dos RIRs, que antecederiam em três meses, a cada um dos dois encontros do IETF. Naturalmente, tal proposta deverá conter argumentos suficientes para ser exposta aos participantes de encontros do IETF, que decidiriam por sua viabilidade e interesse nas mudanças. Os encontros regionais, promovidos por instituições relevantes – por exemplo, o LACNIC, quando se tratar da América Latina – iriam encontrar respaldo, também, para o aumento dos recursos de bolsas oferecendo oportunidades para candidatos avaliados regionalmente, que seguindo as regras já estabelecidas sejam qualificados para os encontros centrais.
O movimento das inscrições no IETF 86, por país e pelos RIRs, está disponível em tempo real na página RIR and Country Participation in IETF 86, IPv6 (preferencialmente) e IPv4, com base no IETF Meeting Registration System. Complementarmente, o levantamento das participações nos encontros que ocorreram a partir dos dois últimos do ano de 2008 até o ano de 2012, encontra-se disponível em RIR and Country Participation in IETF, com base nas informações contidas em Past Meetings, possíveis de se obter automaticamente. Estatísticas de atividades relacionadas com a participação em trabalhos podem ser encontradas em Document Statistics (What’s Going on in the IETF?), que embora muito importantes, fogem do escopo inicial deste texto, uma vez que ele se concentra nas inscrições presenciais dos encontros do IETF. Além do mais, sendo o IETF uma organização que depende do trabalho voluntário e, portanto, extremamente importante, também, não foi considerado. As considerações sobre o que não mereceu atenção, no presente texto devem, naturalmente, chamar atenção especial do autor ou de terceiros, em futuras observações. As informações coletadas estão disponíveis em base de dados MySQL e podem ser solicitadas, por quem as solicitar ou podem ser obtidas nas páginas referenciadas, construídas para facilitar esse trabalho.
Artigos Relacionados
IETF => D-75: O comitê de nomeação
Introdução
Para quem atua na infraestrutura da Internet pela primeira vez e até mesmo depois de anos de experiência consegue compreender parte do funcionamento e da estrutura do IETF. Mas não consegue entender como funciona o IETF, na prática. A principal dificuldade é não imaginar, de imediato, que o IETF NÃO é uma instituição ou organização privada. A dificuldade aumenta um pouco mais, quando se percebe que o IETF não tem endereço fixo ou um representante central para onde flui o que lhe diz respeito. Piora um pouco quando percebe-se que o IETF é um grupo de pessoas que participam de suas atividades, independentemente, sem influências de qualquer entidade organizada (pública ou privada). Este grupo de pessoas tem uma instituição que preserva esta independência, abrigando suas atividades, sem exercer nenhuma influência: a ISOC. Mas, as pessoas chaves que coordenam seus interesses e ajuda no entendimento sereno de todos os participantes estão ligadas ao IESG. Estas pessoas são os Presidentes das áreas (8) e os responsáveis pelos WGs. Tais responsáveis (pelas áreas e pelos WGs) não possuem nenhuma influência sobre o IETF (isto é, sobre o grande grupo). São abnegados e experientes profissionais, que encaminham para que tudo dê certo no objetivo final de definir os comportamentos adequados para a Internet. Em outras palavras, para a criação de normas, recomendações e práticas, que por serem efetivas e eficazes, se tornam padrões.
Quando uma proposta é considerada pronta, pelo grupo, ela é encaminhada a um outro grupo chamado IESG, que seguindo regras pré-estabelecidas, conduz a avaliação técnica da proposta. O IESG também possui pessoas que coordenam, sem influência pessoal, o prosseguimento sob as normas estabelecidas.
Com um olhar mais técnico e cuidadoso, o IAB, outro grupo intimamente ligado ao IETF e ao IESG, também, sob o guarda chuva da ISOC, refina os trabalhos do IETF, encaminhados através do IESG, de forma que se garanta a sua aplicabilidade ou viabilidade de divulgação (através das RFCs).. O IAB possui diversas pessoas que dão suporte às suas atividades e responsabilidades.
Por fim, para que as reuniões do IETF possam funcionar adequadamente, os recursos sejam disponibilizados sem problemas e, no geral, liberar as pessoas (os grupos que formam IETF, IESG e IAB), de preocupações de natureza administrativa e financeira, existe o IAOC. O IAOC, por seu lado possui pessoas que cuidam de seus afazeres adequadamente, e também, seguindo regras bem definidas.
A nomeação dos dirigentes do IESG, IAB e IAOC, incluindo os impedimentos são de responsabilidade de um outro grupo denominado Comitê de Nomeações (Nominating Committee), ou como é mais conhecido, NomCom, cuja descrição é feita a seguir.
Nota 1: Alguns e-mails trocados com S. Moonesamy, da República do Maurício, ISOC Fellow ajudaram na compreensão mais refinada do IETF.
Nota 2: D-75, significa que faltam 75 dias para o início do IETF 86.
O NomCom
O NomCom está apresentado em IETF NomCom, no sítio do IETF. O NomCom foi criado com o objetivo de analisar cada cargo disponível no IESG, IAB, e IAOC, e providenciar seu preenchimento, em datas de nomeções normais ou por impedimento. A estrutura funcional do NomCom possui os seguintes componentes: um Presidente (chair), sem direito a voto, 10 voluntários com direito a voto, 2-3 elementos de ligação (liaison) e um conselheiro (advisor). As obrigações de cada um, suas respectivas funções bem como as regras para se candidatar ao preenchimento das vagas disponíveis são definidas pela RFC37771. A RFC3777 possui quatro atualizações, que substituem alguns de seus itens, aperfeiçoando o processo. São elas: a RFC50782, a RFC56333, a RFC56804, e a RFC56806
O Presidente do NomCom é nomeado pelo Presidente da ISOC. Os candidatos voluntários (10) são escolhidos através de um complexo mecanismo randômico, como caracterizado pela RFC37975, a partir de indicações dos próprios interessados. Há algumas poucas restrições para que uma pessoa se candidate como voluntário, na pressuposição de que ele tenha uma experiência mínima no IETF. Os elementos de ligações são indicados pelo IESG, pelo IAB e, eventualmente, pelo Conselho de Curadores (Board of Trustees) da ISOC. O conselheiro é o Presidente da gestão anterior.
Assim, o NomCom exerce um papel muito importante, na organização do caos!
Observações: O IETF utiliza-se dos elementos de ligações (liaisons) em diversas atividades, principalmente, naquelas que se relacionam com outras organizações responsáveis por padrões. Nestes casos, o NomCom, não é acionado, mas sim o IAB, que coordena todas as atividades que os envolvem. As regras e normas associadas são definidas pela RFC4052 e a referência inicial pode ser vista em Liaisons. A lista dos atuais participantes está apresentada em Liaison Managers e os documentos que estabelecem as iniciativas formais, em Liaison Statements.
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Referências
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RFC5078. IAB and IESG Selection, Confirmation, and Recall Process: Revision of the Nominating and Recall Committees Timeline S. Dawkins [ October 2007 ] (TXT = 19870) (Updates RFC3777) (Status: INFORMATIONAL) (Stream: IETF, WG: NON WORKING GROUP).
-
RFC5633. Nominating Committee Process: Earlier Announcement of Open Positions and Solicitation of Volunteers S. Dawkins [ August 2009 ] (TXT = 11117) (Updates RFC3777) (Also BCP0010) (Status: BEST CURRENT PRACTICE) (Stream: IETF, WG: NON WORKING GROUP).
-
RFC5680. The Nominating Committee Process: Open Disclosure of Willing Nominees S. Dawkins [ October 2009 ] (TXT = 14296) (Updates RFC3777) (Also BCP0010) (Status: BEST CURRENT PRACTICE) (Stream: IETF, WG: NON WORKING GROUP).
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RFC3797. Publicly Verifiable Nominations Committee (NomCom) Random Selection D. Eastlake 3rd [ June 2004 ] (TXT = 39883) (Obsoletes RFC2777) (Status: INFORMATIONAL) (Stream: IETF, WG: NON WORKING GROUP).
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RFC6859. Update to RFC 3777 to Clarify Nominating Committee Eligibility of IETF Leadership B. Leiba [ January 2013 ] (TXT = 5619) (Updates RFC3777) (Also BCP0010) (Status: BEST CURRENT PRACTICE) (Stream: IETF, WG: NON WORKING GROUP).
A ISOC, o IETF e a infraestrutura da Internet
By connecting the world,
collaborating with others,
and advocating for equal access to the Internet,
the Internet Society strives to make the world a better place.
At the foundation of our work are a vision and a mission.
Introdução
Até agora, neste blogue tenho escrito sobre assuntos pontuais da Infraestrutura da Internet, em particular com o foco em Sistemas Autônomos e no principal protocolo envolvido, o BGP. Com a proximidade do IETF 86, em Orlando (Flórida) rever o processo de funcionamento da Infraestrutura da Internet, em detalhes e no seu aspecto global parece oportuno.
Este trabalho tem como sua principal motivação, o esforço de Paul Hoffman1, com uma versão em espanhol aqui. As regras desta referência estão descritas na RFC67222 seguindo aquelas do IETF, em relação às suas publicações. A primeira publicação de O Tao do IETF foi a RFC46773, em 2006.
Tao (pronuncia-se dao), no Taoismo4 (pronuncia-se daoismo), se refere a algo que é tanto a fonte quanto a força motriz por trás de tudo que existe. Seu ideogama é o yang-ying, representado pela conhecida figura à direita.
O Tao do IETF dá ênfase aos três eventos anuais no aspecto referente à organização, orientando o recém chegado sobre o comportamento esperado na ocasião. Das trinta e oito páginas, oito são dedicadas à organização da Infraestrutura da Internet e o restante, indiretamente exibe a forma como são construídos os padrões utilizados na Internet.
A sopa de termos
Aqui ou em qualquer lugar na Internet, em livros e documentos aparecerão acrônimos e abreviações que algumas vezes trará uma certa dificuldade de leitura. A tabela abaixo, adaptada de Hoffman1 e do Glossário do IETF, ajudará a torná-los mais conhecidos. Uma tradução livre, do significado em português foi adicionada, para facilitar a compreensão, e poderá sofrer mudanças à medida que as contribuições forem recebidas.
Também, na tabela, as referências para informações adicionais de cada item. Tais referências, básicas, não se esgotam na tabela, pelo contrário. A quantidade de informações é imensa!
| Sigla | Inglês | Português |
| AD | Area Director | Diretor de Área. Cada área (dividida em WGs) possui uma AD com um ou mais membros. O AD é responsável pela orientação / gerenciamento dos respectivos WGs. Os membros de cada AD podem ser vistos aqui |
| BCP | Best Current Practice | Melhores práticas correntes |
| BOF | Birds of a Feather |
Grupo de debate informal. Geralmente precede a formação de um WG. Um BOF pode ser convocado para debates sobre uma questão que, eventualmente, não será transformada em um WG. |
| FAQ | Frequently Asked Question(s) | Perguntas mais frequentes |
| FYI | For Your Information | Para sua informação |
| IAB6,9,10 | Internet Architecture Board | Conselho de arquitetura da Internet. Na criação de WGs, o IAB recomenda ou “aconselha”, a respeito. |
| IAD | IETF Administrative Director | Diretor administrativo do IETF |
| IANA | Internet Assigned Numbers Authority | Autoridade para atribuição de números da Internet |
| IAOC | IETF Administrative Oversight Committee | Comitê administrativo de supervisão do IETF. |
| IASA12 | IETF Administrative Support Activity | Atividade administrativa de suporte ao IETF |
| ICANN | Internet Corporation for Assigned Names and Numbers | Corporação da Internet para atribuição de nomes e números |
| I-D | Internet Draft |
Esboço da Internet. São os documentos de trabalho do IETF, de suas áreas, e de seus grupos. Durante o desenvolvimento de uma especificação, versões preliminares do documento estarão disponíveis no diretório de I-Ds do IETF, para revisão informal e comentários. Isso faz com que um documento de trabalho esteja disponível a um público amplo facilitando o processo de avaliação, revisão e, consequentemente, de evolução. No diretórios estão os I-Ds atuais e passados. |
| IEPG24 | Internet Engineering and Planning Group |
Grupo de Engenharia e Planejamento da Internet. É um encontro informal que se reúne no domingo, antes das reuniões da IETF em que são abordados temas de relevância operacional, além de avaliar outros temas, que despertam interesse, no momento. |
| IESG6,9,10 | Internet Engineering Steering Group |
Grupo de direção de engenharia da Internet. O IESG é responsável pelo gerenciamento técnico das atividades do IETF e do processo de desenvolvimento de padrões. Como parte da ISOC o IESG administra os processos de acordo com as regras e procedimentos ratificados pelos membros da administração superior da ISOC. O IESG é diretamente responsável pelas ações associadas ao acompanhamento do movimento dos padrões, incluindo a aprovação final das especificações. |
| IETF | Internet Engineering Task Force | Força de tarefas de engenharia da Internet |
| IPR | Intellectual Property Rights | Direitos de propriedade intelectual |
| IRSG | Internet Research Steering Group | Grupo de orientação de pesquisa da Internet |
| IRTF23 | Internet Research Task Force |
Força tarefa de pesquisa da Internet. A missão da IRTF é promover investigação de importância para a evolução da Internet do futuro, criando focos, grupos de pesquisa de longo e curto prazos, que trabalham em temas relacionados aos protocolos de Internet, aplicações, arquitetura e tecnologia. |
| ISOC7 | Internet Society |
Internet Society. É uma associação sem fins lucrativos, criada em 1992, com atuação internacional, que tem por objetivo promover liderança no desenvolvimento dos padrões Internet, bem como fomentar iniciativas educacionais e políticas públicas ligadas à rede mundial entre computadores. O escritório brasileiro da ISOC possui diversas informações adicionais, entre as quais, os estatutos e formas de associação. |
NomCom5,6,8 | Nominating Committee |
Comitê de nomeação. Seu objetivo é analisar cada posição (cargo) em aberto no IESG, IAB e IAOC e nomear respectivos candidatos. Ele é composto de pelo menos um coordenador (“chair”), nomeado pelo Presidente da ISOC, 10 voluntários votantes, 2 a 3 membros de contatos (“liaisons”), e um assessor. O presidente do NomCom é apontado entre as primeira e segunda reuniões do ano, e um novo NomCom começa oficialmente o seu trabalho. Associar-se à ISOC é o primeiro passo para participar, efetivamente, do IETF, muito embora não seja mandatório. |
| RFC | Request for Comments | RFC |
| STD | Standard (RFC) | Padrões (RFC) |
| W3C | World Wide Web Consortium | Consórcio do WWW. |
| WG | Working Group |
Grupo de trabalho. É onde tudo começa no IETF. WGs são o mecanismos primários para o desenvolvimento de especificações do IETF e diretrizes, muitas das quais se destinam a ser os padrões ou recomendações. WGs são tipicamente criados para resolver um problema específico ou para a produção de um ou mais resultados específicos (uma diretriz, especificação de normas, etc.).Um WG possui uma existência temporária e é mantido o histórico dos WGs concluídos aqui. Em 05/01/2013 haviam 126 WGs ativos: veja aqui. |
| WGLC | Working Group Last Call |
Grupo de Trabalho Última Chamada. É uma última chamada dentro de um WG (realizada na lista), antes de um documento ser enviado ao IESG para consideração. |
Interação entre as atividades
Este texto tem como objetivo a descrição do processo de formação dos padrões da Internet. Isto significa que o principal foco está no funcionamento do IETF. O IETF está relacionado com um conjunto de outras organizações e/ou atividades, as quais, incluindo o IETF possuem forte ligação funcional com a ISOC. A Figura 1 exibe as relações entre as que mais interessam para este texto, onde a ISOC é a peça fundamental, em todo o conjunto.
A relação mostradas na Figura 1 é complexa. Muitas vezes a comunidade age, simplificando, com o objetivo de facilitar o entendimento, como por exemplo, referir-se ao IETF como sendo a representação do próprio IETF, em conjunto com IAB, IESG, IRSG, IRTF e RFC Editor. A principal referência que esclarece, detalhadamente, os mecanismos e caminhos da padronização é a RFC202619. ICANN e W3C são independentes, e possuem protocolos assinados com a ISOC para compor seus interesses, inclusive de autonomia e independência. A W3C é abrigada pelo MIT enquanto que a IANA foi entregue à administração da ICANN pelo governo dos EEUU, que não interfere diretamente. Alexis Simoneli20, descreve cada um dos componentes da Figura 1, com razoável detalhe e complementa este texto, neste quesito.
A ISOC representa uma blindagem completa sobre a capacidade de auto-gestão, do IETF. O modelo foi arquitetado de forma inteligente e serena pelo grupo de pessoas que participaram da criação inicial dos componentes técnicos envolvendo redes de computadores e os protocolos TCP/IP, muito bem abordado no texto escrito por nove deles, “Brief history of the Internet”14, onde mostram a linha de tempo, reproduzida na Figura 2.
A Figura 2, mostra a formação do primeiro grupo de trabalho em 1968 (ARPANET WG) e a evolução até a fundação da ISOC, com o estrito objetivo de garantir a independência da Internet, culminando com a criação do W3C.
O funcionamento do IETF
O IETF foi criado em 1986 e é constituído de pessoas, não por empresas. O trabalho no IETF é dividido em áreas (atualmente 8) e cada área, em grupos de trabalho (WGs) ativos (atualmente, 126). Alguns grupos de trabalho foram concluídos e continuam disponíveis para acesso. Existem listas que não são WGs. Eis alguns pontos que ilustram como o IETF se comporta:
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É constituído de participantes e não de membros.
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Os padrões que saem do trabalho executado pelo IETF, não são padrões impostos sobre uma área técnica ou sobre instituições públicas ou privadas. São padrões porque as pessoas ou organizações, simplesmente, os usam. Por outro lado, instituições oficiais / formais, criadas para definir padrões no mundo acabam recomendando ou “oficializando” os resultados do IETF.
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Existe um coordenador, nomeado pela comunidade, que é também membro do IAB e o AD da área geral (General Area).
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Cada área possui dois ADs, exceto a General Area. São responsáveis pela coordenação, e aprovam a criação de BOFs e WGs, além revisar os documentos do WG antes de serem enviados ao IESG.
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A administração do IETF é de responsabilidade da IASA que, não possui autoridade sobre os procedimentos que desenvolvem padrões.
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O trabalho do IETF é feito nos WGs ou durante os encontros, por iniciativa dos participantes e segue um esquema de baixo para cima, muitas vezes iniciando-se em um BOF (mas, não necessariamente).
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O BOF, geralmente precede um WG e é criado a partir do interesse de um grupo de participantes (ou mesmo de um só participante), por um determinado assunto.
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Para se criar um BOF é necessário convencer um AD. Feito isto o BOF é agendado e, usualmente ocorre uma única reunião. No final, o BOF pode resultar ou não, na criação de um WG.
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O WG é formado por participantes. Nada é votado em um WG. A aprovação é por consenso (ou um código funcionando), e não há necessidade de unanimidade, pois o coordenador é quem decide se há consenso (apesar de ser um fato reconhecido pelos participantes). Se houver disputas, então prevalece o debate entre os participantes, na lista do grupo ou nos encontros do IETF. A última palavra, entretanto é da comunidade (isto é, de todo o IETF e não somente do WG).
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A língua oficial do IETF é o inglês. A “linguagem” das listas é o ASCII ou em formatos reconhecidos e aceitáveis.
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Proposta técnica de um WG é publicada como um I-D, e enviada ao IESG após a avaliação do AD do WG. Uma vez revisada pelo IESG poderá ser retornada ao WG, para se tornar uma RFC.
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Todo documento do IETF é público. I-D é o documento de trabalho do IETF e, também, documento do WG. O I-D permanece arquivado no IETF por 6 meses (pode haver exceções por parte do IESG), de onde é automaticamente excluído do ambiente original. Um I-D, após avaliado, favoravelmente, em várias instâncias da comunidade dá origem a uma RFC.
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Existem vários tipos de RFCs e nem toda RFC é um padrão. RFCs são caracterizadas pelo RFC Editor.
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O IETF é uma meritocracia. Algumas vozes (técnicas, não políticas) são mais importantes do que outras. Grandes esforços podem ser barrados por razão de uma opinião técnica relevante.
A formação de um WG depende de um bom projeto e de massa crítica (um grupo de pessoas interessadas). Para convencer um AD ou vários é necessário um projeto bastante claro sobre a ideia envolvida. A forma adequada de fazer isto é escrever um I-D, estruturado objetivamente. Em alguns casos, o I-D é acompanhado por um código que funcione. O texto, mais o código já são suficientes para garantir sucesso, na aprovação do WG. Se, entretanto conseguir interessados, o processo pode ser bem mais rápido, intensificado pela estrutura da ideia no I-D. O caminho para o WG pode ser longo, mas o BOF é um dos ambientes mais propícios a avançar. Às vezes a criação formal do BOF é antecedida por apresentações locais e / ou BOFs informais (o BOF formal, em um encontro do IETF, geralmente é de uma única sessão).
Um exemplo interessante e que pode ser acompanhado é a proposta que está sendo elaborada por Danton Nunes21. Danton, está preocupado em recomendar algumas alternativas para melhorar o protocolo SPF: “…um mecanismo para endereço IP pode ou não enviar email de um dado domínio”. Após perfeiçoado sua ideia, Danton colocou-a na lista do GTER e recebeu inúmeras sugestões que lhe permitiu refiná-la. Sua próxima etapa foi desenvolver um código para testar a recomendação. Feito isto, apresentou o projeto na segunda reunião anual do GTER de maneira bastante consistente. O próximo passo, certamente será um BOF em encontro do IETF, pois ele já possui o I-D (ainda não formatado nos padrões desejáveis pelo IETF). A criação do WG será bem rápida, imagina-se. Mais rápido ainda, se ele fizer um debate informal com alguns participantes do IETF que foram importantes no desenvolvimento do protocolo original, pois sob a ótica da meritocracia do IETF, a opinião deles será relevante!
No exemplo do parágrafo anterior, a formatação do I-D será fundamental. O IETF divulga um conjunto de ferramentas, desenvolvidas por seus participantes, para facilitar o trabalho do autor, nesta etapa, e que podem ser vistas em IETF Tools.
Um exemplo final, que ilustra a informalidade das ideias dentro do IETF, na expectativa de que os participantes trabalhem sobre elas está em um I-D disponibilizado por Ammar J. Salih, relacionado com a adição de localização por GPS no cabeçalho do IPv6 e que pode ser visto aqui: Adding GPS location to IPv6 header. Ammar divulgou seu projeto no Linkedin, no grupo do IETF. Apesar de bastante claro, o I-D está, ainda, escrito informalmente, o que é admissível. Como se pode ver, o I-D permanecerá no sítio do IETF, por 6 meses, caso não siga em frente, da forma exibida na Figura 3.
Como se pode verificar, o BOF é um componente importantíssimo no processo. Ele ajuda a consolidar a ideia, nos arredores do problema. A RFC543422 é o documento que recomenda o que se deve fazer para que o BOF seja um sucesso. No LACNIC XVIII vi propostas de algumas sessões de BOF, o que indica o fato de que o BOF pode ser considerado informal (isto é, fora dos encontros do IETF). Voltemos ao exemplo do Danton Nunes. A sua palestra foi, de certa forma, um BOF, do qual “compulsoriamente” pessoas de diversas correntes de pensamento participaram. Alguns, portanto, sem interesse no assunto. A ausência da noção de existência ou não de massa crítica no Brasil, não foi respondida naquele momento. O GTER poderia pensar na possibilidade de permitir os “GTER-GTS-BOFs”, sem prejuízo da apresentação normal. A recomendação partiria do interessado ou da coordentação do GTER / GTS. Isto poderia estimular a participação da comunidade brasileira no IETF. Se o assunto for considerado relevante, pela comunidade presente, o Nic.br poderia apoiar a participação do(s) “dono(s)” da ideia, no IETF. A proposta do Danton, não foi a única apresentada no GTER, e provavelmente, no GTS.
Nota 1: S. Moonesamy, da República do Maurício, ISOC Fellow e, bastante ativo no IETF, lembrou que já existe um WG para o SPF. Moonesamy, também, recomendou algumas correções importantes no texto, a quem o autor agradece.
Como participar do IETF
Existem, basicamente, duas maneiras de participar no IETF: encontros e WGs. A Figura 4, abaixo apresenta um resumo geral e os pré-requisitos (quando for o caso). Complementarmente, a Figura 4 exibe os locais nos quais ocorrerão os três eventos principais durante os anos de 2013 e 2014.
Os encontros (“meetings”), do IETF são as oportunidades em que os participantes dos WGs encontram-se para consolidar as idéias e se conhecerem. A participação pode ser remota. As várias formas de participação remota estão descritas na documentação de cada encontro, como por exemplo, em “Agendas and Meeting Materials” do IETF 86 que, aos poucos vai se delineando. Um panorama dos recursos que são colocados para a participação remota pode ser visto, quando da realização do IETF 85.
A participação presencial, além da forma tradicional (inscrever, pagar, viajar e participar), a ISOC oferece bolsas (“Fellowships”) para que diversos tipos de pessoas tenham oportunidade de participar, até em duas oportunidades. Estas bolsas incluem a estada no hotel do encontro, despesas de passagem e uma ajuda de custos. Todas as informações estão disponíveis em “Education and Leadership Programmes“. Há alguns pré-requisitos para concorrer a uma bolsa que estão descritos em “Selection Criteria for Fellowships to the IETF“. Um dos mais importantes é ser associado da ISOC, onde existe uma forma de se associar, sem necessidade de contribuição.
A participação efetiva e duradoura é através dos WGs. Como já foi dito, o IETF divide suas atividades operacionais em 8 áreas às quais são associados respectivos WGs. A Figura 4 exibe as oito áreas, com uma pequena descrição dos interesses relacionados. Detalhes, entretanto, dos interesses de cada área e respectivos grupos podem ser encontrados em “Active IETF Working Groups“.
Às vezes, a interpretação do domínio de uma das oito áreas do IETF pode parecer confusa, principalmente, durante as sessões de um encontro. Existe um conjunto de tutoriais que ajudam no entendimento de tópicos específicos. Alvaro Retana e Fernando Gont, em [18] comentam sobre as áreas e fatos interessantes dos respectivos grupos, incluindo estatísticas.
Conclusões
Este é um texto introdutório sobre o IETF, seu funcionamento, sua relação com a ISOC e demais organizações associadas, além de mostrar como são construídos os documentos que dão origem às RFCs. As regras do IETF são bem definidas e oferecem uma flexibilidade suficiente para que os participantes se sintam à vontade livres para desenvolver o trabalho, que não é pequeno. Há anos funciona muito bem e as idéias são consolidadas em um ambiente de “múltiplas partes interessadas”. Um verdadeiro caos organizado! O IETF tira o máximo do conhecimento de milhares de pessoas, que agem soberana, e prazeirosamente, em benefício dos usuários da Internet.
O assunto não se esgota já que é bastante complexo. Os três encontros anuais do IETF constituem o exercício culminante dos esforços que são feitos pela comunidade que deles participam, antes e durante. O próximo será o IETF 86, em Orlando, Flórida. A sua organização já está em franco andamento e pode ser vista aqui, em constante e rápida atualização.
Este texto, além de ser uma introdução incompleta do funcionamento do IETF, contêm referências que, também, não são completas. A quantidade de material disponível, seja em RFCs, no sítio do IETF ou em outras fontes, são inesgotáveis. Em The IETF Process: an Informal Guide, editado por Brian Carpenter tem-se uma excelente referência complementar, como ele mesmo diz diz: “…is an informal guide to various IETF process documents, intended mainly to assist IETF participants in navigating the labyrinth. …”, que vale a pena acompanhar.
Já é possível antever que – antes, durante e depois do IETF 86 -, a experiência será maravilhosa! Sob o ponto de vista técnico, uma oportunidade dos Deuses que, minimamente deve ser divulgada, e recomendado, para quem ainda não o fez, que se associe à ISOC: aqui e / ou aqui.
Em resumo, vale esclarecer que a exposição acima é a visão de um “First Time Fellow” preparando-se para o que será uma experiência inesquecível.
Artigos relacionados
Referências
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RFC4677, The Tao of IETF – A Novice’s Guide to the Internet Engineering Task Force P. Hoffman, S. Harris [ September 2006 ] (TXT = 127383) (Obsoletes RFC3160) (Obsoleted-By RFC6722) (Status: INFORMATIONAL) (Stream: IETF, WG: NON WORKING GROUP). Acessado em 08/11/2012.
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Os números de 2012 do blogue Infraestrutura da Internet
Este blogue teve 26.000 acessos em 2012. Clique na figura abaixo caso se interesse em ver as estatísticas elaboradas pelo WordPress.com, .
O DNS solidário
Introdução
Muitos são os processos que tornam a Internet um ambiente mais confortável. Confortável no sentido de segurança e, principalmente, qualidade. O DNS é um deles. Sob o ponto de vista do bem estar geral, o DNS é um dos mais importantes componentes. Servidores de DNS são gerenciados por empresas e provedores de serviço de Internet (pequenos, médios e grandes). Não é somente o sistema autônomo o pré-requisito para a existência de servidores de DNS. O pré-requisito é que a organização tenha pelo menos um domínio registrado.
Este texto está interessado em abordar a questão da qualidade do DNS sob a ótica de sua disponibilidade (com foco na topologia), e propõe um mecanismo criativo para diminuir significativamente a sua indisponibilidade, melhorando a qualidade da Internet e aumentando um pouco mais sua segurança.
Se a organização é pequena, mesmo que tenha diversos domínios, a recomendação é não pensar duas vezes e usar os servidores de DNS do Registro.br. Há duas restrições, entretanto, que impediriam o uso daqueles servidores: se o domínio tiver mais de 15 registros (digamos, subdomínios) ou se for necessário a implementação de reversos de IPv4 e/ou IPv6 (que é o caso dos sistemas autônomos). A proposta criativa está orientada para aquelas organizações que não podem usar os DNSs do Registro.br, na totalidade de suas demandas.
Topologia de servidores de DNS
A recomendação técnica mínima é que se tenha pelo menos dois servidores autoritativos de DNS: um primário e outro secundário. E, também, que haja outros servidores de DNS do tipo recursivos, disponíveis para consultas de nomes e reversos de IPv6/IPv4. Na maioria das vezes, isto não acontece. Primeiro, não é usual a disponibilidade de recursivos. Isto não representa um problema técnico se são usados recursivos disponíveis na Internet, como os do Google. O ruim, na história dos recursivos é não usar nenhum e deixar que o autoritativo aceite consultas e se torne um autoritativo-recursivo. Usar um servidor autoritativo como recursivo é possível, deste que isto seja feito através de visões, como permite o Bind. Uma visão é autoritativa e outra é recursiva. Mas, neste texto, a demanda para recursivos é abstrata, embora não se deixe de pensar que os recursivos depende de autoritativos disponíveis, para funcionarem. A preocupação é o respeito às melhores práticas, de no mínimo dois autoritativos. O uso do servidores DNS solidários permite a aplicação das melhores práticas e representar uma topologia conforme a Figura 1.
Governança do DNS Solidário
Recorrendo à Figura 1 destaca-se:
- A visão do Registro.br está restrita aos dois servidores à esquerda (secundário e primário). O nome primário, neste caso é dado ao servidor que irá transferir a zona para todos os outros secundários. Na realidade, o único primário (ou “master”), na acepção técnica de servidores DNS é o escondido, sobre o qual as zonas são manipuladas.
- O dois servidores registrados no Registro.br devem estar em redes física e logicamente distintas.
- O primário escondido pode e deve estar localizado em uma rede remota distante. Por exemplo, em uma empresa de hospedagem, preferencialmente disponível em um PTT. As facilidades de conexão aos PTTs, via transporte, devem ser consideradas, agora ou no futuro.
- O recursivo, que pode ser mais de um (dado à sua facilidade de implementação), deve estar nas proximidades das redes solidárias.
- O DNSSEC é um pré-requisito fundamental!
A governança do DNS Solidário deve ser no estilo “várias partes interessadas”. Em outras palavras, a governança deve ser uma organização independente, onde a administração é dada a algum membro da rede de provedores solidários, por um período de tempo pequeno e com participação efetiva de todos os envolvidos para que a estrutura/topologia estejam bem cuidada, focada no interesse comum, respeitando algumas particularidades de membros específicos. Não há necessidade de uma organização formal e a imagem que melhor se adapta é a estrutura da Internet Society (ISOC), especificamente, o IETF.
Custos serão os fatores fundamentais da organização solidária. Eventuais responsáveis não devem receber por seu trabalho. Entretanto, admite-se que o pessoal técnico seja remunerado. Níveis de dedicação variam em função da complexidade da estrutura.
Organizações solidárias, principalmente em pequenos e médios provedores tendem ao aperfeiçoamento ao criativamente evoluírem para o ASN Solidário, Trânsito e Transporte Solidários, etc. Há exemplos práticos funcionando, embora sem uma organização efetiva, o que atrai alguns problemas, principalmente, no que diz respeito à qualidade de seus serviços de infraestrutura da Internet. Outros exemplos mostram a criação de organizações formais que aumentam consideravelmente os custos e a complexidade operacional tornando-se ineficientes. O modelo atual da Governança da Internet é um exemplo imperturbável!

















